O fotógrafo Tony Genérico fala sobre luz natural e como ela muda de qualidade a cada momento

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Fotógrafo com uma experiência de mais de 40 anos de atividade profissional, Tony Genérico viveu e trabalhou em Nova York por 19 anos. Lá fez parte do grupo que fundou a SohoPhotoGallery e estudos com vários mestres da década de 70, incluindo Philippe Halsman, considerado o retratista mais importante do século XX. Nesta matéria, Tony fala um pouco sobre a luz natural e como ela muda de qualidade a cada momento.

LUZ NATURAL por Tony Genérico
Um fotógrafo atento e observador leva sempre em conta o fato de que estamos condicionados, em nosso planeta, a uma única fonte de luz (o Sol). E que essa luz, apesar de vir sempre de uma direção, está em constante mutação. Durante sua trajetória, o Sol nos oferece uma infinidade de situações diferentes, provocadas pelas interações atmosféricas, que influenciam principalmente sua tonalidade e seu contraste. É aí que se percebe que, apesar de ser única, a luz solar muda de qualidade a cada momento. Uma pessoa em pé, sob um sol do meio-dia, sobre a linha do Equador, receberá os raios do sol perpendicularmente, projetando uma sombra dura para baixo. Uma foto nessa situação tem poucas chances de ser atraente, devido ao alto contraste provocado pela direção e intensidade da iluminação. Em fotografia esse tipo de luz crua é conhecido como de qualidade dura.

Essa mesma cena, ao nascer ou pôr do sol, seria muito mais atraente, já que a qualidade da luz, naturalmente tangente, com tons mais amarelados e mais suaves, eliminaria sombras indesejáveis, ao mesmo tempo em que captaria detalhes interessantes que não são percebidos sob uma luz dura.Uma simples nuvem se interpondo ao exemplo anterior mudaria sua qualidade. Um dia ensolarado pode ser ideal para a maioria das paisagens, mas isso não significa que em todas as situações um dia nublado seja o mais adequado. Cada caso exige uma análise de um bom observador e a decisão do que ele realmente quer mostrar.

Por mais de uma centena de anos dizia-se que o Sol deveria estar sempre por trás do fotógrafo para se conseguir uma foto bem iluminada. Fotografar a contraluz era praticamente impossível até o advento das lentes antirreflexo, que, com uma camada adicional em sua superfície, possibilitou belas fotos, mesmo com a câmera apontando em direção à luz.

Porém, dominar o controle da qualidade da luz não depende simplesmente de tecnologia, como podemos notar nas obras dos grandes mestres da pintura. Duzentos anos antes do surgimento da fotografia, as obras de Rembrandt, por exemplo, sugerem que ele era um profundo conhecedor das qualidades da luz, além de ter uma técnica primorosa.

João Simões

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